coleções

Coleções

Sachês de açúcar como cartinhas doces – legíveis até para os analfabetos – furtados especialmente para mim. Envelopes de chá para pescar lembranças no oceano fervente de uma xícara. As frases do Carpinejar que não gostas e eu achando graça na carência de sentido. As bolhas de sabão feitas no quarto, quando um raro sol da manhã vinha para secar a umidade daqueles dias. O transplante de meias às pressas para salvar pés congelados. As mensagens de texto que eu não tive créditos para enviar e ficaram no meu moleskine, numa espécie de poupança de literatura barata. Os passos leves do gato que acordava sempre antes e tinha anseio de janelas abertas. O sono que durava até fecharem todos os restaurantes da cidade. A falta dos guarda-chuvas que nunca tínhamos. Os almoços de improviso que valiam a pena. O show do Drexler que não fomos, e as canções dele que ouvimos antes de dormir. É o que fica, e só deixamos que fique o que brilha e agrada. As férias também sabem se fazer assim: sem embarcar em nada, só colecionando momentos no plural.