Bolha

A despeito do fato de que completarei 27 anos mês que vem, está cada vez mais difícil dissimular meu interesse por uma espécie de arma de bolhinhas de sabão da galinha pintadinha (presumo que seja essa personagem pois trata-se de uma ave azul, embora o elo entre galinha e sabão siga um pouco indecifrável). O negócio vai fazendo bolhas ininterruptamente, e em alguns segundos, sem o esforço de soprar, forma uma cortina de bolhas extraordinária. Penso que se tivesse umas duas décadas a menos eu seria muito feliz com aquilo. Penso, talvez, que a alegria de usá-lo nos dias atuais não seja muito diferente. O vendedor, sempre pelos arredores da biblioteca Mário de Andrade, além de uma boa garganta e boas apostas no setor de brinquedos, possui uma excelente percepção de possíveis clientes. Hoje, no começo da tarde, me abordou certeiro:

– Compra, moça, você sempre passa olhando!

Posso comprar para o meu sobrinho, penso eu, e entregar só no Natal. Até lá, em um prédio no centro da cidade, quem sabe se note uma estranha nuvem de bolhas que verterá da janela do quinto andar.

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