De olhos fechados

Santiago de Chile - Setembro de 2012

Depois que meus amigos seguiram viagem, fiquei um dia sozinha em Santiago do Chile. Isso alguma coisa deve significar. Conversei com pessoas que provavelmente nunca mais verei, comprei um lenço colorido, comi comidas estranhas.  A onipresença das cordilheiras faz ver tudo ao redor diferente. Dá pra assistir o pôr-do-sol vir chegando rosado pelas montanhas e os tremores que os nativos nem sentem fazem questionar o sentido da vida. Não se pode pra ignorar a geografia daquele lugar, ela acena em todas as partes.

Mas mesmo sem cadeias montanhosas ou sacolejos de placas tectônicas, quando viajamos sozinhos despertamos para o que está ao redor – porque mesmo em um lugar onde tudo é novo, se não temos a solidão, nem sempre podemos ver as coisas ao nosso modo. Controlando os próprios passos, aguçamos os ouvidos para as palavras nas ruas. Foi assim que capturei uma conversa entre mãe e filho, a qual tive o cuidado de anotar no meu caderno, companheiro de andanças. Era um garotinho com não mais que cinco anos, mãos dadas com a mãe pela praça, naquela idade precisa em que as crianças se valem livremente das palavras. Assim foi o pedaço de conversa que ouvi:

– Entonces hoy vas a conocerlo!

– Sí, yo lo conozco mamá, pero lo vi de ojos cerrados.

– Lo imaginaste, entonces.

– Puede ser.

(Santiago do Chile, Setembro de 2012)

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